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O projeto Fritz Müller Multimídia é um conjunto de ferramentas pedagógicas e tecnológicas (livro, caderno pedagógico, site e redes sociais), aplicadas aos poemas que Fritz Müller fez para alfabetizar suas filhas, com o propósito de despertar o interesse das crianças pela leitura e o amor pela natureza.

UM POUQUINHO DE HISTÓRIA


                 Quem foi mesmo Fritz Müller?

               Fritz Müller foi um alemão que emigrou da Alemanha em 1852 para o Brasil, morando inicialmente em Blumenau e depois em Florianópolis (Desterro) retornando ao Vale do Itajaí em 1867. Foi pesquisador, professor, juiz de paz, delegado de polícia, exerceu, enfim, várias funções pois eram poucos os homens que dominavam o português e o alemão.

               Descendentes de uma linhagem de homens que se dedicavam aos estudos e à intelectualidade, Fritz Müller e seus irmãos cresceram e foram educados nesse ambiente. Sua escolaridade aconteceu numa época em que o sistema de ensino vigente na Alemanha passava por significativas mudanças, buscando afastar-se da educação prussiana, muito militarizada.

         

             Em uma carta ao seu amigo Ernst Krause, em 1883, Fritz Müller diz:

 

 “aqui [em Windischholzhausen], o meu prazer pela natureza viva já foi despertado muito precocemente pelo meu pai, assíduo pesquisador do rico mundo vegetal que lá havia. Das minhas recordações mais antigas fazem parte passeios que eu fazia na companhia do pai e da mãe pelas florestas e descampados.”

Os livros didáticos alemães dedicados à alfabetização, a partir do século XVII, continham, além do alfabeto em diferentes grafias, formação de sílabas, páginas dedicadas à história mundial, ciências naturais e geografia indicando que tal conteúdo estava disponível ao professor para uso já nas primeiras letras [1]

 

[1] [1] Este material pode ser consultado em https://gei-digital.gei.de/viewer/index/ acesso em 16 jan 2023. No Instituto Leibniz de Mídia Educacional | O Instituto Georg Eckert (GEI) está em desenvolvimento um projeto de digitalização de obras livres de direitos autorais publicadas no período entre o surgimento dos primeiros livros didáticos no século XVII até o final da Primeira Guerra Mundial, em 1918.

[2]  Wilhelm Hey foi pastor luterano que se notabilizou por escrever fábulas dedicadas às crianças.

Fritz Müller, em carta à sua irmã Rosine (20 agosto de 1854), expressa sua necessidade de possuir livros didáticos como os de “Hey” [2] cujas fábulas dedicadas às crianças eram ricamente ilustradas e podiam ser utilizadas na sua educação incentivando à leitura e auxiliando na alfabetização. Essas fábulas traziam mensagens com teor religioso, moral, ético em linguagem que soa, bastante diferente da pedagogia aplicada na contemporaneidade. Vida e morte eram finais recorrentes, pois apenas em meados do século XIX, com o desenvolvimento da ciência, a mortalidade infantil foi reduzida e a longevidade ampliada.

Com o auxílio da filha Rosa, que atuou como ilustradora, Fritz Müller criou suas próprias fábulas utilizando-se da fauna e da flora que permeavam o ambiente das suas pequenas, contudo, sem se afastar da linguagem utilizada nos livros alemães.

 

Esse é o olhar que se deve direcionar para esta obra, contextualizando-a em seu momento histórico, trazendo-a para a atualidade, valendo-nos desse aspecto particular para mostrar às crianças a relação entre passado e presente.

Johann Friedrich Theodor Müller, ou Fritz Müller, foi um alemão que aos 30 anos de idade, já doutor em ciências, emigrou para o Brasil em 1852, acompanhado por sua família. Morou em Blumenau e Desterro (hoje Florianópolis), onde produziu uma irretocável gama de estudos científicos, que deram origem a mais de duas centenas de artigos publicados na Europa.  Admirado por pesquisadores de sua época, na atualidade é considerado um dos expoentes da ciência brasileira, do século XIX. A troca de cartas com Charles Darwin possibilitou um intercâmbio de conhecimentos, que contribuiu – entre outras coisas -  para a compreensão e ratificação da teoria evolutiva darwiniana, a partir dos estudos com crustáceos existentes na Praia de Fora (Florianópolis). O resultado dessas pesquisas deu origem ao livro, editado na Alemanha em 1864, com o título de “Für Darwin”. Cinco anos depois, por iniciativa do cientista inglês, o livro foi traduzido e publicado na Inglaterra com o nome de Fatos e argumentos a favor de Darwin.

A produção científica de Fritz Müller - tanto em qualidade como em quantidade - é algo que desperta admiração e respeito.

Profundidade, seriedade, ineditismo, apuro técnico e científico são algumas das características que se pode mencionar.

Mas, o que dizer sobre o Iado humano de Fritz Müller?

Suas ideias, inquietações e relatos do cotidiano estão em sua extensa correspondência familiar. Mesmo imerso em seus afazeres como cientista e professor, alfabetizou e educou pessoalmente suas filhas. Sem dispor de livros didáticos para auxiliá-lo nessa tarefa, elaborou em linguagem poética, poemas inspirados em espécies da fauna e da flora brasileiras, nos mesmos moldes da educação que recebeu e despertou nele e em seus irmãos, o interesse pela pesquisa e a sensibilidade para com a natureza.

Vamos conhecê-los?

Organizadora
Ana Maria L. Moraes
Ilustradora
Christiane Mundim Lindner

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“Tenha vergonha, tamareirinha!

Você só tem uma única folhinha.

Olhe para mim! A mesma idade eu tenho,

o mesmo sol nos bronzeia,

a mesma chuva nos banha

e o mesmo solo nos acompanha.

 

Olhe para mim! Mal um ano passou,

eu germinei do solo escuro,

o orvalho do céu e a luz do sol aprecio,

e já sou uma árvore de porte imponente,

de rica coroa de folhas e tronco elegante.

 

Minhas flores perfumadas

fecundam o ar e convidam

o beija-flor de asas agitadas,

as borboletas de cores vibrantes,

e todos os mosquitos do céu

para um banquete doce como o mel.

 

Meus frutos avolumam e maturam,

adensados no tronco se amontoam,

e a gula da criançada estimulam!

 

Palmeirinha, diga lá: quando vai pensar

em se alongar e finalmente me alcançar?”

MAMOEIRO E TAMAREIRA

Mamoeiro:

Tamareira:

 

 

“Paciência, paciência, árvore enorme e falaz!

O que rápido aparece, como um sonho se desfaz.

Só vagarosamente pode o nobre prosperar,

Apenas devagar pode o duradouro se formar.

 

Por isso, não invejo o seu tamanho

e sua bela folhagem não me desperta encanto;

seu crescimento rápido e suas frutas sem sabor

não são motivo de orgulho, nem de valor!

 

Paciência! Ainda a sua altura excederei,

no tronco esguio, a coroa cheia de folhas eu portarei;

e quando minhas primeiras flores brotarem,

você, podre e velho, já estará sem folhagem!

 

Logo você tombará, assim como rápido se elevou;

eu viverei quando você, há muito, já se desintegrou,

e os meus deliciosos frutos dourados serão

um presente saboroso aos netos que virão.”

Olá amigo! 

A paciência ajuda a continuar, mesmo quando as coisas se tornam difíceis! 

Com paciência a gente chega longe! 

Paciência é 

uma virtude!

PICA-PAU

“Bom dia, Sr. Pica-pau! Outra vez tão ativo?

Ágil no tronco, acima e abaixo a correr!

E em todo lugar a martelar e bater

onde os carunchos gostam de se esconder!”

 

De cima para baixo procurou

e para o seu bico nada achou.

Mas isso não pode lamentar:

“Sem esforço, nada vai encontrar!”

 

Grita, bate as asas e para o próximo galho,

recomeça ali o seu trabalho,

novamente escala, saltita

para baixo e para cima,

procura e pica.

O topete vermelho

na sua cabeça,

balança e agita.

Agora escute, agora escute, aqui parece oco;

deve estar cheio de larvas e besouros no tronco.

Ali ele silenciou e firme se agarrou,

a cauda, como suporte, no tronco prensou

e com força volta a picar e martelar,

e tão alto está a tamborilar,

que o som a floresta irá atravessar.

 

Ele fez um buraco através da casca;

os besouros se assustam de tanta martelada,

e mal um aparece para dar uma olhada,

rapidamente é engolido pelo pica-pau em guarda.

Quando o pica-pau pica o tronco e o som fica oco, é sinal de que alí tem alimento!

Pica-pau de cabeça vermelha ou pica-pau rei.
A maior espécie de pica-pau do Brasil e comum no estado de Santa Catarina.

Aquele que não desiste de seus objetivos é persistente!

PACA

Em noite silenciosa e estrelada

A paca na floresta, em caminhada,

Vai pela mata, sossegada:

“Não chegarei logo à água?”

 

De repente uma cerca interrompe a via,

de uma forma que ela não conhecia.

Na trilha limpa, ela segue o novo destino:

“Nossa, aqui é bom de se andar um pouquinho!”

 

Mas a cerca vai, vai infinita.

“Será que isto não chega ao fim?

Olha aí, uma passagem muito bonita;

por aqui eu passo fácil, sim.”

 

A paca entra, não está preocupada,

mas sair, jamais, só há entrada.

Uma pancada! Ela cai estatelada,

por três troncos de palmeira foi abatida.

 

Morta está a paca,

fica lá estirada e alquebrada,

até ser por Augusto retirada

para servir de comida.

Saber valorizar o seu ambiente é decidir com sabedoria o seu caminho!

Para onde mais você gosta de passear?

Você sabia que a paca é o segundo maior roedor do Brasil?

TARTARUGA

Meio-dia, um silêncio úmido e quente,

tudo repousa, ao redor só o ruído estridente

de um grilo zumbindo sua canção renitente.

 

O mormaço sufocante, o silêncio no ar,

somente o grito forte da araponga vai quebrar,

e através das árvores da floresta ecoar.

 

Meio-dia e o sol no apogeu,

seus raios como brasas ardentes a emanar

e no fluxo claro do rio a espelhar.

 

Céu azul, sem uma nuvem sequer!

Alegres bandos de pássaros revoam

e na sombra fresca da floresta se ocultam.

 

O gado procura sombra

junto ao tronco de frondosa árvore,

enquanto crianças descansam na rede.

 

Mas emerge da água turva,

e se acomoda em um toco sem precisar de ajuda,

uma pequena tartaruga.

Calma ela repousa e permite, com prazer,

a brasa do sol a pino a envolver,

e a sua sólida carapaça óssea aquecer.

 

Um menino, em um leve barquinho,

desce o rio suave, devagarinho.

 

Ele vê a tartaruga como a sonhar,

quieta lá no tronco, a repousar.

 

“Ah, ah! Essa descansa após o almoço?

Espere só, já te pego sem esforço!”

 

Remando suave, ele se aproxima devagar,

Para a tartaruga não acordar.

 

Então, levanta o remo para a coitada:

“Atenção, uma pancada vou lhe dar!”

 

Foi-se a tartaruga! Na água ela se jogou;

seguindo-a com o olhar, surpreso ele ficou.

Quem foi o mais sábio?
- O menino ou a tartaruga?

JARARACA

Na casa um mormaço, um mal-estar!

O caramanchão fresco e sombreado deve estar,

e frutas doces me esperam lá,

como o delicioso maracujá!

 

Pronto! Sem se preocupar

o menino corre ao pomar,

e logo vem o cachorrinho acompanhar,

alegre, latindo e a pular!

 

E na trilha, descansando

uma jararacuçu deitada,

ao sol morgando,

enrolada em círculos, apertada.

 

“Diz o pai em seu sermão,

a malvada jararaca pica sem provocação;

por isso passo silenciosamente,

para que não me ocorra um acidente!”

A cobra estacionada, quieta está.

A cabeça a se mover, mal se perceberá,

e também a língua, como se quisesse falar:

“Muito próximo de mim você não deve se arriscar!”

 

Mas segue o seu dono, o cachorrinho!

Tão atrevido, não deixa de provocar no caminho.

Furioso para a serpente começa a latir:

“Monstro venenoso, agora você deve partir!”

 

Em vão, o menino chama o cachorrinho.

A cobra já se levantou um pouquinho,

abrindo a boca ela surpreende o animal,

e lhe desfere uma picada mortal.

Ter prudência pode evitar o perigo!

Eu sou a Jararaca - uma cobra venenosa
e tenho até 1.60m de comprimento.

VAGA-LUME

Fresca e revigorante

vem a noite,

o dia foi quente e o trabalho desgastante.

Ao descanso, ao descanso!

O uru segue a gritar.

Na noite silenciosa, vamos descansar!

 

Mas eis que o vagalume acordou

E na noite de verão o voo iniciou.

Em toda direção, vai com disposição,

e em seu peito duas estrelas brilham:

elas no escuro cintilam,

bem claro iluminam

e relampejam.

Pelas flores e nos talos do capim,

e nas palmeiras, em seu cume,

passa alegre a dança do vagalume.

No alto da montanha as brasas brilham,

labaredas reluzem e faíscas espirram.

“Que luz fulgurante é essa?

Ah, deve ser uma turma se divertindo!”

Cuidado, tenha cuidado vagaluminho!

 

Não raciocina, no entanto, o vagalume,

e se apressa rumo ao lume.

“Vamos lá! Aqui chega o novo convidado!”

Ele se aproxima afobado

e cai na brasa luzente no chão.

Simplesmente, não eram boas-vindas, não.

As asas queimam, os sentidos desaparecem,

e daqui não voltará o vagalume, não.

No Brasil existem por volta de 500 espécies de vaga-lumes

Pensar com calma pode nos impedir de fazer coisas erradas!

GAMBÁ

“Senhoras galinhas, que barulho noturno é esse,

que acorda toda a casa?

Venha mãe, rápido vamos ver,

o mal que às nossas galinhas está a ocorrer!”

 

O papai pega o facão

e a mamãe uma lenha com fogo do fogão;

os dois correm e abrem o galinheiro.

As galinhas batem asas e cacarejam o tempo inteiro!

 

            Lá preenche o ar

            um odor de matar.

 

“Aha, aha, gambá, gambá!

Seu malfeitor, outra vez aqui?

É isso mesmo! Ele escala para debaixo do telhado ali.

Aonde vai tão rápido? Devagar, devagar!

Pois hoje, caro você vai nos pagar,

o que em vezes anteriores conseguiu roubar!”

 

O gambá quer rapidamente escapar,

mas a luz tão clara ofusca o seu olhar.

Ele está a piscar, grunhir e procurar,

mas nenhuma saída consegue encontrar.

 

O pai uma pancada na cabeça lhe dá

e no chão cai o coitado, estatelado.

Ele pensava em conseguir um assado,

mas agora, ele é que vai sair abrasado.

Respeitar o descanso dos outros é uma boa ação!
 

Dica para ser educado (a) e fazer o bem:

Cuide das suas coisas, não tome-as dos outros!

FORMIGAS

“Oh, homem malvado, por que a vingança?

Por que nos persegue com veneno e fogo?

Se aquelas, lá no tronco de imbaúba,

com ferrão venenoso um ferimento lhe causaram,

nós somos um povo pacífico e calmo,

a ninguém prejudicamos, nem dano provocamos.

 

Tarde e cedo,

com esforço e aplicação,

roemos folhas, fazemos ração,

carregamos cargas, fazemos caminhos,

alimentamos os jovens, construímos o ninho,

nem temos tempo de olhar para o vizinho!

 

Agora vem você nos envenenar,

e em nosso ninho o fogo atear.

Destrói o que construímos com perseverança!

Oh, homem malvado, por que a vingança?!”

“O que fizeram vocês? Escutem! Vou lhes contar.

É com prazer que as vejo tão dedicadas a carregar,

mas não devem as minhas plantas mastigar.

Perto do riacho há folhas e flores delicadas,

gramas e ervas bem variadas,

suficientes para vocês e sua cria,

mas a sua língua exigente não agradaria!

 

Tarde e cedo,

com aplicação e esforço,

a minha terra eu semeei, plantei e lavrei,

mas à toa o trabalho e suor apliquei.

Mal uma folhinha aparecia,

era ela cortada e desaparecia.

 

Uma arvorezinha eu plantei

e com seu crescimento me alegrei.

Hoje outra vez retornei,

mas minha arvorezinha está vazia e pelada,

e minhas preocupações e esforços foram para nada.

 

Só um único raminho ainda está verde,

e veja, vocês cortam a folha agilmente

e carregam alegremente

em suas costas os pedacinhos,

e os levam embora. Eu prontamente as observei

e enfim o seu formigueiro encontrei.

Vocês queriam estragar toda a minha plantação

e por isso devem morrer sem perdão.”

Dica para hoje e sempre:
Se você deseja respeito, respeite também, com igualdade, afeto e consideração!

Cada um respeitando o seu espaço, fica tudo bem!

Respeito gera respeito!

Ouça Formigas

O mar está tranquilo, o sol claro brilha,

o vento suave e fraco varre o mar.

Ondas quebram na praia mansamente,

Enquanto algas no penhasco desdobram-se alegremente,

qual coloridas flores marinhas,

e mexilhões entreabrem as suas conchinhas.

 

Como na floresta cheia de árvores entrelaçadas,

tucanos revoam, macacos ágeis em escaladas,

pica-paus os troncos picam, sapos saltam

e cobras na folhagem do chão rastejam,

assim também no mar existem mil formas de movimento,

um jogo alegre, um feliz acontecimento.

ANIMAIS MARINHOS

Lá se veem, nos ramos das algas pardacentas,

caranguejos de pernas compridas a subir e descer,

camarões a saltar, e nas pedras as estrelas-do-mar

com mil pezinhos a se segurar.

Com dificuldade sobem pela alga os cavalos-marinhos

e passam velozes prateados peixinhos.

 

Todos se alegram do sol e do mar

e nenhum ruído anuncia o seu bem-estar.

Se eles a amar se aproximam, ou por odiar se evitam,

sua vontade é silenciosa e seu sofrimento não tem grito.

Nenhuma canção alegre escapa de seus corações,

não se ouve o seu lamento, nem a sua dor.

5 dicas para proteger o meio ambiente:

1 - Reciclar o lixo;
2 - Ter uma hortinha;
3 - Não utilizar sacolas plásticas; 
4 - Valorizar pequenos produtores; 
5 - Economizar a água.

Cuidar do meio ambiente é preservar a vida! 

CAVALO-MARINHO

Em porto seguro, no penhasco escondido,

das ondas e da tempestade protegido,

entre algas, como emaranhada floresta,

um cavalo-marinho, pequenino, vivia em festa.

 

Ali, em paz o dia inteiro a brincar,

como só um cavalo-marinho pode folgar.

      Ele enrola o seu rabinho

      em volta de toda plantinha,

      e abocanha com a boquinha

      esse pequeno cavalinho,

      e olha com os olhinhos

      em volta para todos os arbustinhos.

 

E assim como ele a subir e escalar,

um peixinho alegre vem passar,

      tão rápido, tão rápido,

      como o vento a sibilar.

 

“Devo escalar algas eternamente?

Também quero uma vez nadar livremente

para dentro do mar, para o mundo imenso à minha frente!”

O pequeno herói quer arriscar,

      o desconhecido desbravar,

      avança no escuro mar

      e rema sem se cansar,

      com suas delicadas nadadeiras.

“Como é bonito aqui, amplo e livre!”

Pela nova maravilha, encantado,

       acena com a cabecinha

       o pobre coitadinho.

       E se curva e se estica,

       e corcoveia e se estende,

       e enrola o rabinho,

       dançando alegremente.

 

Eis que vêm ondas selvagens

e estrondosas no seu caminho.

Balançam o assustado

e encaracolado cavalinho:

“Oh, como eu queria voltar agora ao meu lugar tranquilo!”

 

Mas as ondas o agarram e longe o arrastam,

e na praia seca o jogam.

E ele definha, na areia escaldante.

Arriscar com responsabilidade para seguir sua vontade! 

Você se considera corajoso(a)?

O PEIXINHO E A ÁGUA-VIVA

Nas ondas do mar,

a descer e a subir,

estão rápidos peixinhos a brincar.

Eles cintilam

e luz como a prata refletem,

em êxtase estão a se banhar

nos raios dourados do sol a brilhar.

 

Um sino de vidro claro,

uma ampola cristalina e contrátil,

flutua calma no seu caminho.

“Peixinho, peixinho, deixe-a ir!

Peixinho, peixinho, se apresse em fugir!”

Ali atrás, longos fios transparentes se arrastam

e os olhos do peixinho a um banquete convidam.

“Serão, por acaso, minhocas o que eu vejo de repente?”

“Peixinho, peixinho, deixe-me alertar!

Peixinho, peixinho, não se deixe enganar!”

 

Próximo demais o peixinho chegou:

“Ai, ai, ai, agora ela me pegou!

Firme me amarrou e não consigo me soltar!

Firme me envolve e arde de matar!”

O peixinho sacoleja, o peixinho se contrai,

a água-viva movimenta, a água-viva se retrai,

o pobre peixinho é engolido e se vai.

Escutar o que os mais experientes dizem é uma boa ideia!

Você sabia que a Água-viva também se chama Medusa ou Geléia do Mar?

Ouça O peixinho e a água-viva

GAIVOTA

A gaivota em voo rápido vem

e se aproxima das ondas do mar,

brinca nas ondas altas que balançam

e com estrondo na praia plana se dissipam.

 

E na praia,

sentado na areia,

um menino deseja

a alegre gaivota capturar.

Algo saboroso e atraente ela está a olhar,

pois da orla o garoto a quer enganar.

“Pobre gaivota, não se deixe seduzir!

Esse petisco a sua liberdade irá extinguir!”

 

A gaivota engoliu.

O menino puxou;

um anzol na sua língua se fixou,

e para a terra o garoto a arrastou.

 

Agora ela não pode mais voar

nem nas águas refrescantes mergulhar;

nas ondas não pode balançar,

ao calor do sol não pode mais brincar.

Liberdade:
Toda criança, assim como
os animais, tem direito à 
liberdade.

O que é Liberdade?
Significa o direito de agir 
por si próprio, e pode ser
diferente para cada um 
de nós.

Você se sente livre?

Brincar ao ar-livre é um exemplo de liberdade! 

Ouça Gaivota